terça-feira, 21 de abril de 2009

4 ponto 6

4.6 de muita vida diluída e sonhada
Muitos percalços
Muitos assaltos aos sonhos
Muitos monstros desenhados
Muitas cores a mudar
Muita mudança já combinada com o riso
Muito riso escondido pelo apego consciente
Muito ciente do que tenho a renovar
Muito beat encalhado por enquanto
Muito barulho sobre o beat iú me assombrando
Muita mixagem espalhando sons calientes
Muitos sons de ansiedade
Muita idade pra surgir
Pouca idade pra recomeçar.
A música de abril vai ser diferente
Regada de harmonias simplificadas
Pelo dedilhar do aprendizado.
Muita rede pouco freqüência no dial
Mas, tocar é o meu presente
Nem que nasça da semente
Dos 100 anos em diante
Há de ser mais condizente com a vontade que pratico
E eu explico:
Sinto música no ar do encontro
Sinto um cheiro doce harmonizando o que produzo
Sinto a chuva regando o que faltava
Nos interiores da minha mente por vezes impermeável.
Dessa forma aviso a quem desconfiar
Que estou pronto pra chegar daqui, até onde me cabe
Perseguindo o que busco
O que rabisquei a vida inteira
Sem saber no que ia dar.
E mesmo sem vidência antecipada
Mas com a aura e os chácras afinados
Anuncio a virada
Que eu guardei pra não gasta talvez antes do tempo
Que estava separado só pra mim.
Repaginei a vida toda
Reescrevi cada trecho que guardei na memória
Pra que me orgulhe do que fiz
Pra que me despeça do que não amadureci
Pra que não sinta falta do que ainda há por fazer.
Não tenho medo de enfrentar o que me salga
Até porque dor não dá em árvore que chora
E eu compositor brasileiro da Amazônia
Não vou reflorestar nenhuma insônia
Pra pode me acomodar.
Quero mudanças radicais internas
Dos meus pontos cardeais ao que componho
Decidi que abrandarei as palavras
Pra ter mais sobriedade
Na hora de afinar as cordas do discurso
Êta 4.6 de curso doído
Mas de cheiro que exala pomada que cura
E que abre os caminhos pra energia armazenada
Em partitura escrita
Pra os que não ficam parados
Como os frouxos e indecisos do que precisam
Encarnados de vaidade perene
Sem olhar pra dentro do umbigo
que reflete o espelho da gente.
Esses não entram nesse momento
que consagro como meu renascimento.
Quero o que não achei escondido
Pois não sou um fugitivo das agruras da vida
Pra poder me encaminhar melhor
E mais disponível ao que me foge
Pelo que humildemente posso aprender com o tempo
Exercitando meu som para espalhar a paz
E semear a dialética das diferenças.

2 comentários:

Laura Fuentes disse...

Continue assim, poeta, semeando a dialética das diferenças... e dos encontros.

Marco disse...

Tentarei sempre, pois o aprendizado me atinge. beijos